
De APROXIMAÇÕES A EUGÉNIO DE ANDRADE
Retrato: Álvaro Siza, 1995, tinta da china
Poema: Teresa Balté, 1999 - Alquimia (para o Eugénio)
Criam as mãos os frutos e recolhem-nos -
Pousam na terra o ovo da ternura
Regam com riso e chuva e sol e lua
Com a paixão aquecem iluminam
Irradiante o caule rasga o perímetro
Abre-se em asa tinge-se de esperança
Revela então o coração da planta
Na flor da aliança o arco-lírio
E fecunda-se o rubro em ouro de alma
Em pomo em pedra em obra em plenitude
Da semente onde o tempo se confunde
E ternamente rola e ruge e canta -
Criam as mãos os frutos e deslumbram-se
Vertendo noutras mãos o rio de chama