Relato (abreviado) de António de Figueiredo Gomes e Sousa, publicado em:
MOÇAMBIQUE - Documentário Trimestral
Nº 76 - Outubro/Novembro/Dezembro - 1953
Páginas 49 a 71
Não raro, uma das facetas mais interessantes das ilhas é a sua flora, composta, por vezes, exclusivamente de plantas oriundas de outras regiões, que as correntes marítimas transportaram no decorrer dos séculos. Foi essa faceta que me levou a visitar as Ilhas Primeiras, certamente o mais curioso grupo de ilhas moçambicanas, por ser o mais afastado da costa.
No dia 5 de Novembro do ano de 1952 embarquei, em Lourenço Marques, no rebocador Revuè, da Beira, o qual seguia para Quelimane, onde fundeou a 9. Naquele porto tomei o rebocador Chaimite, que andava ocupado no serviço de reconstrução dos faróis das ilhas do Fogo e Epidendron. Depois de curta demora no porto de Pebane, para abastecimento de água, o Chaimite soltou rumo para a ilha do Fogo, em frente da qual fundeou no dia 11, à tarde.
O presente trabalho representa unicamente uma simples notícia do aspecto geral das Ilhas Primeiras.
As Ilhas Primeiras são cinco: Silva, Fogo, Coroa, Casuarina e Epidendron, formando uma linha sensivelmente na direcção nordeste-sudoeste.

O nome de Primeiras foi posto, segundo parece, por João de Lisboa, talvez na ocasião da viagem de Vasco da Gama em descobrimento do caminho marítimo para a Índia, de cuja armada foi o piloto principal, e, certamente, por serem as primeiras que encontrou na sua rota ao longo da costa de Moçambique.
As Ilhas Primeiras são desertas. Os seus faróis - do Fogo e de Epidendron - são de iluminação automática e, por tal motivo, não têm faroleiros. De seis em seis meses vai lá um navio levar o combustível, verificando-se nesse momento o seu funcionamento.
Recifes de coral que o mar deixa a descoberto na vazante servem de base a estas ilhas. A parte emersa, ou seja a areia que o mar deposita na preia-mar, ocupa somente uma parte mui restrita da orla norte dos recifes. Ao mesmo tempo que, por um lado, o mar deposita a areia, por outro arrasta-a, de modo que a forma das ilhas está sujeita a constantes alterações. Foi esse o motivo que tornou necessária a construção dos novos faróis.
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