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segunda-feira, maio 28, 2007

MEMORIAL DE QUELIMANE: III - Almadia "Iole"

Do poema Nossas Vidas São Os Rios, de Luis G. Urbina:

"Eu tinha uma só ilusão: era um manso
pensamento: o rio que vê próximo o mar
e quisera um instante converter-se em remanso
e dormir à sombra de algum velho palmar. "
(...)
_____________________________

A Baixa Zambézia é vincadamente marcada pelas bacias hidrográficas dos seus principais rios, precisamente Zambeze e Licungo, a cada passo proliferando braços fluviais. Neste contexto, a singular almadia, pequena embarcação construída a partir de um tronco de árvore, sempre desempenhou um papel relevante na pesca artesanal e, não raras vezes, fundamental no transporte ligeiro.

O meu baptismo em viajar de almadia remonta ao período de infância inicialmente vivido na Barra, precisamente uma das estações de elaboração de copra a partir dos palmares circundantes detidos pela Madal, e situada na zona costeira de Micaúne.

Na época, tal como ainda no presente, ir a Quelimane obrigava à travessia dos estuários do Abreu e dos Bons Sinais. O típico gasolina assumia-se como o meio de transporte preferencialmente utilizado, destacando-se na prestação deste serviço os operadores Humberto no percurso fluvial de Mitange à rampa do Abreu, e Moreira & Filhos na ligação entre a Recamba e a marginal de Quelimane.

Num certo dia, uma inadiável obrigatoriedade de presença em Quelimane foi determinante para superar a travessia do estuário do Abreu com recurso à almadia dada a impossibilidade, na ocasião, de se garantir qualquer outro meio mais seguro.

Meio século já volvido, continuo a sentir calafrios ao recordar aquela primeira experiência... mas agora suspeito quão mais aflito terá ficado o rio que mais que remanso se manteve, quiçá encolhendo-se por entre tudo que fosse mangal. E dormindo... porventura só os admiráveis flamingos a boiarem nas águas quedas. Quanto à minha mãe, não restam dúvidas sobre o recolhimento do espírito na prece invocando a salvaguarda da bonança - até porque, afinal, ninguém sabia nadar!

Já adulto, no início da década de setenta do último finado século regressei à terra mãe para permanência em Inhassunge, área considerada como uma ilha face aos inúmeros braços fluviais que a percorrem. A intimidade com a almadia emergiu de forma instintiva, pelo que para a minha cúmplice companheira de tantos momentos lúdicos cumpre-me sussurrar esta saudade que a memória não deixa expirar.

E, para seu sossego, igualmente em surdina lhe confidencio que os receios... sim, continuam a apoquentar, mas agora perante a hipótese de viajar no avião!


César Brandão - 28.05.2007

2 COMENTÁRIO(S):

  1. Hi there. I made a small error when I put up the code for this template. I forgot to remove the code for my Stat Counter in the bottom of the sidebar.

    Would you please delete it from your template? It's right under the little Blogger button and starts with the line:

    Start of StatCounter Code

    And ends with the line:

    End of StatCounter Code

    I changed it in the download file already. It keeps showing hits from your blog in my hit counter. Sorry about the trouble.

    Se7en of Free Blogger Skins

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  2. Hi Se7en!

    Thank you for this template. It´s nice and very practical.

    About the small error I removed the code already, just under instructions from yourself.

    My regards
    Brando

    ResponderEliminar